Geral

3ª oficina virtual do GEAC – Prescrições: a esquerda no capitalismo tardio

PERÍODO DE INSCRIÇÕES ENCERRADO.

Te esperamos na próxima oficina virtual do GEAC.

Uma intuição insinua-se na proposta desta oficina. Poderíamos sintetizá-la assim: o mundo da flexibilização laboral, das razões gerenciais, da frustração como modo de vida, dos empregos de merda já está sendo desafiado por “prescrições” incipientes. Silêncio. Escutemos o som ao redor: talvez ali, em meio ao já dito, ao re-dito e ao mal-dito, ressoe um enunciado que potencialmente nos diz respeito. Agora, trata-se de localizá-lo.

Hacé clic aquí para leer la presentación del taller en castellano.

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Com o intuito de dar continuidade aos espaços de auto-formação promovidos pelo coletivo Máquina Crísica – Grupo de Estudos em Antropologia Crítica (GEAC), convidamos todxs xs interessadxs para participar de nossa terceira oficina virtual, intitulada “Prescrições: a esquerda no capitalismo tardio”. A oficina ocorrerá entre os dias 20 de março e 20 de maio de 2019 através da plataforma We.riseup. A participação é gratuita, claro.

Neste espaço nos dedicaremos à leitura de um conjunto de artigos e intervenções nos quais parecem cintilar, com maior ou menor intensidade, certas prescrições que iluminam um horizonte de ação transformadora em meio às determinações do capitalismo tardio.

Em linhas gerais, a prescrição constitui um ato de palavra e pensamento que revela atributos novos nas localizações sociais dadas, reconhecendo nelas uma mudança de atitude possível e uma forma outra de subjetivação. Neste sentido, uma prescrição converte o cotidiano em seu oposto, tornando relações sociais que a princípio eram ambivalentes ou multipolares em relações consequenciais, ou seja, bipolares e divisórias. Ao fazê-lo, a prescrição antecipa seu poder subsequente, apresentando um possível que novos sujeitos políticos deverão sustentar materialmente.

Hoje parecemos incapazes de enunciar prescrições políticas que possam enfrentar o “realismo capitalista”, esse componente ideológico estratégico da dominação neoliberal que nos ataca com a sensação insidiosa de que “não há alternativas” ao modo de vida que padecemos. A ausência de prescrições deixa o pensamento crítico à mercê do exercício infinito de diagnósticos tristes e fatalistas que variam em torno do poder descomunal do capital sobre nossas vidas. Diante destes diagnósticos, só podemos afirmar abstratamente princípios como liberdade e igualdade, que parecem existir sem nenhuma consequência palpável para o nosso mundo. Projetamos para outro lugar – para o passado ou para um futuro sem presente – a possibilidade de realização de referidos princípios.

Embora os textos selecionados para a terceira oficina virtual do GEAC não necessariamente portem prescrições explícitas, sem dúvidas esforçam-se por incrustar um lugar crítico de enunciação no seio das dinâmicas que caracterizam a conjuntura presente. Um dos desafios propostos neste espaço de auto-formação é buscar a faceta prescritiva de cada uma das intervenções em jogo. Trata-se, portanto, de lê-las em busca daqueles enunciados que não só identificam os antagonismos concretos de nosso tempo, mas também – e fundamentalmente – sinalizam caminhos para a sua superação positiva. Por outro lado, além de empreender uma leitura política das razões críticas reivindicadas pelos autores que nos ocupam, também pretendemos ensaiar um debate coletivo em cujo marco nossas próprias prescrições possam ser enunciadas e esclarecidas.

Uma prescrição ressoa na proposta desta oficina. Poderíamos sintetizá-la assim: o mundo da flexibilização laboral, do desemprego estrutural, das razões gerenciais, dos empregos de merda, do mal necessário, da frustração como modo de vida; o mundo da acumulação por despossessão, do endividamento massificado e da financeirização já está sendo tensionado por prescrições incipientes. Se cada um dos problemas que acabamos de listar aparece às nossas consciências como problemas efetivos, então quer dizer que, pelo menos em alguns casos, já se converteram em obstáculos e, portanto, em algo politicamente superável. Em outros casos, essas dinâmicas ainda não configuram “problemas” conscientes, mas sim a causa de tristezas, pânicos e depressões que, em tese, precisamos aguentar como se fosse nosso dever padecê-las. Perante tais circunstâncias, só um esforço de politização poderia transmutar a negação potencial inerente à depressão em negação objetiva, eficaz e antagonista: negação política, política da negação.

A busca de prescrições políticas requer, antes de qualquer coisa, uma mudança de atitude; um reajuste do olhar e do pensamento que nos deixe em condições de encarar as palavras dos demais – nossos contemporâneos – não apenas como um relato sobre o que a realidade é, mas também enquanto o índice de um esforço laborioso destinado a enunciar o mundo em sua transformabilidade.

Silêncio. Escutemos o som ao redor: talvez ali, em meio ao já dito, ao re-dito e ao mal-dito, ressoe uma prescrição que potencialmente nos diz respeito.

Inscrições e estrutura da oficina

A terceira oficina virtual do GEAC se desenvolverá na plataforma We.riseup.net, que oferece ótimos recursos para organizar as discussões propostas de uma forma bastante acessível. O período de inscrição vai de 19 de fevereiro a 19 de março. Para participar da oficina, xs interessadxs devem enviar um e-mail notificando sua intenção ao seguinte endereço eletrônico: antropologiacritica@gmail.com. Entraremos em contato o antes possível para confirmar a inscrição e enviar um convite para a página da oficina no We.riseup. Quem não possui cadastro na plataforma We.riseup poderá fazê-lo no momento de receber o convite ou agora mesmo, clicando aqui.

A oficina começará no dia vinte de março e finalizará no dia vinte de maio de 2019. Serão quatro sessões com sua respectiva bibliografia. Cada sessão dura 15 dias e possui um/uma encarregadx que utilizará os primeiros 5 dias para compartilhar seus comentários sobre as leituras sugeridas e dar início à discussão. Os 10 dias restantes estarão destinados à participação de todxs xs integrantes da oficina, incluindo x encarregadx da sessão. Cada participante pode intervir no debate quantas vezes julgar necessário. Concluídos os 15 dias de duração de uma sessão, passaremos à seguinte de acordo com a mesma metodologia até concluir o programa de leituras proposto.

No transcorrer da oficina xs participantes também estão convidadxs a enviar textos de até 8 páginas (fonte Times, tamanho 12, espaço simples) que expressem sua apropriação pessoal da discussão geral. Os textos enviados serão publicados no site do coletivo Máquina Crísica – GEAC.

Bibliografia:

Sessão I – Neoliberalismo (20 de março a 5 de abril)

 “Totalitarismo, último estágio do capitalismo? Reflexões em diálogo com Marx e Spinoza” (Frederic Lordon)

É mais fácil imaginar o fim do mundo que o fim do capitalismo”, Capítulo I do livro “Realismo capitalista” (Mark Fisher).

Sessão II – Pós-fordismo (6 a 20 de abril)

 “Antropologia operária: pensar o presente no registro do possível” (Sylvain Lazarus)

Para una crítica de las operaciones extractivas del capital: Patrón de acumulación y luchas sociales en el tiempo de la financiarización” (Verónica Gago y Sandro Mezzadra)

Sessão III – Aceleracionismo (21 de abril a 5 de maio)

Manifesto Aceleracionista” (Alex Williams y Nick Srnicek)

O aceleracionismo interpelado pelo corpo” (Franco Bifo)

Sessão IV – Direitização (6 a 20 de maio)

“Del complot al potlach”, capítulo X do libro “Marx y Freud en América Latina” (Bruno Bosteels). Em breve estará disponível a versão digital deste capítulo.

La gorra coronada. Sobre el devenir voto de la Vida Mula”, capítulo 3 do livro “La Gorra Coronada”. (Colectivo Juguetes Perdidos)

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