Geral

Chamado a estudantes e professorxs para a criação de coletivos autônomos universitários

Por Grupo Grothendieck. Publicado originalmente em Lundimatin.

Tradução e adaptação: Coletivo Máquina Crísica – GEAC

Imagem: Instalação de Liliana Santacruz Herrera

A questão é redescobrir o desejo de viver livremente e de praticar a vida, a crítica na ação, ou seja, encontrar e redescobrir o que hoje e ontem permite e permitiu que muitas pessoas saíssem da rotina mediante certas formas de organização. A implementação efetiva de “universidades autônomas” é consubstancial à vida coletiva que se desenvolve ao longo do processo; é a vida que queremos ver crescer e que, na verdade, já está florescendo ao nosso redor! Podem estar certos de que, quando esse tipo de lugar for construído, as almas enobrecidas pelas novas amizades e pelo impulso coletivo rapidamente se sentirão sufocadas pelos muros que as aprisionam e, quando menos se espera, começarão a propagar negatividades frutíferas em meio a carteiras escolares desmontadas e gabinetes esculhambados.

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“AMIGOS! Saiam deste mundo condenado à destruição o mais rápido possível. Deixem essas universidades, essas academias, essas escolas das quais vocês agora estão sendo expulsos, e nas quais sempre procuraram separá-los do povo. Vão para o povo. Lá deve estar sua carreira, sua vida, sua ciência. […] E lembrem-se bem, irmãos, que o jovem alfabetizado não deve ser nem o mestre, nem o protetor, nem o benfeitor, nem o ditador do povo, mas apenas a parteira de sua emancipação espontânea, o unificador e o organizador dos esforços e de todas as forças populares. Não se preocupe agora com a ciência em nome da qual eles gostariam de amarrá-lo, de castigá-lo. Esta ciência oficial deve perecer com o mundo que ela expressa e serve; e em seu lugar, uma ciência nova, racional e viva surgirá, depois da vitória do povo, desde as profundezas da vida popular desatada”

Mikhail Bakunin, “Algumas palavras para meus jovens irmãos na Rússia”, (maio de 1869 – em Le socialisme libertaire, Denoël, 1972, pp. 210-211)

“Sobreviver, um movimento aberto a todos, torna-se um instrumento para a luta comum dos cientistas com as massas, pela nossa sobrevivência […] Parece que sobreviver é o primeiro esforço sistemático feito para reunir, em uma luta comum, os cientistas das mais variadas camadas da população”

Marc Atteia, Alexandre Grothendieck, Daniel Lautié, Jérôme Manuceau, Michel Mendès-France e Patrick Wucher. Extrato de “Por que outro movimento” em Survivre n ° 2/3 setembro-outubro 1970.

 

CONSIDERANDO a hegemonia assumida pela tecnociência no conjunto da sociedade industrial e em todos os campos do saber/poder, bem como sua infeliz tendência para desenvolver aplicações tecnológicas mortais (modificação de organismos vivos, nanotecnologias, cidades inteligente, celulares inteligentes, energia nuclear, etc.) e dispositivos de controle/restrição política (reconhecimento facial, drones, registro generalizado, etc.)

CONSIDERANDO QUE é no Sistema Superior de Ensino e Pesquisa (ESR, pela sigla em francês), nas universidades, escolas de engenharia, institutos de pesquisa como o CEA (Comissariado de Energia Atômica) e o CNRS (Centro Nacional da Pesquisa Científica), que a tecnociência nasce e se desenvolve atualmente.

CONSIDERANDO a responsabilidade dxs pesquisadorxs, professorxs e engenheirxs, bem como dxs especialistas, técnicxs e quadros administrativos nesta avalanche de desastre técnico-científico.

CONSIDERANDO que, desde o final dos anos 1970, com a reestruturação da economia capitalista rumo ao “poder latente do conhecimento científico” ( general intellect ), a tecnociência como arcabouço do pensamento e da produção do conhecimento está de fato enredada ao capitalismo de acordo com uma estrutura triangular (ciência-indústria-exército) e que, portanto, é apropriado falar de “tecnocapitalismo”.

CONSIDERANDO o que deve ser chamado a partir dos anos 90 de uma “revolução digital” na produção capitalista e CONSIDERANDO que esta “revolução” é um dos campos básicos da tecnociência.

CONSIDERANDO a virada tecno-totalitária dos estados de capitalismo avançado (EUA, Europa, China) nos últimos cinco anos como uma materialização concreta e política de um dos subcampos da tecnociência: a cibernética. E CONSIDERANDO que os “regimes de exceção” institucionalizados e sucessivamente impostos só são alcançáveis ​​com o auxílio desta ciência.

CONSIDERANDO a política oportunista midiática-viral ou midiática-terrorista do Estado, que consiste em impor, no longo prazo, privações de liberdade que apontam à dissolução dos focos de conflito envolvendo classes médias e pobres ao passo que prometem sua salvação.

FINALMENTE, CONSIDERANDO o fechamento total das universidades em decorrência dessa política anti-subversiva (permanecendo abertos apenas os cursos preparatórios, os colégios secundários e grandes escolas).

Estamos lançando um CONVITE PARA A FORMAÇÃO, NAS UNIVERSIDADES E NO SEU ENTORNO, DE COLETIVOS COMBATIVOS E AUTÔNOMOS com vocação para a emancipação, a crítica social e a organização de longo prazo.

Dito isto, aqui estão algumas propostas que dão substância ao nosso chamado.

Propostas

I. Tu ainda acreditas que esses novos desertos, densos e silenciosos, redutos da “humanidade digital” e do suicídio na vida cibernética, ainda erroneamente chamados de “Universidades”, podem um dia voltar a ser focos de protestos vivazes e revolucionários?

Paradoxalmente, vivemos uma sequência histórica nada desprezível para aqueles que desejam ver novamente florescerem focos de protesto radical e pensamento crítico no seio da pequena burguesia universitária. Com efeito, sem saudades de maio de 1968 ou da sequência de revoltas estudantis entre 2006-2010, mas considerando fria e estruturalmente estes espaços onde o jovem-que-tem-o-tempo-e-os-recursos reflete sobre sua condição e sobre a sociedade que a produz, as universidades podem, rapidamente, se tornar lugares que desafiam a ordem que elas próprias geram.

II . Pode-se pensar que o governo Macron fez o que qualquer bom anarquista gostaria de alcançar: fechar este lugar sublime de “reprodução social das elites” que é a Universidade. Esta visão, aliás bastante ultrapassada, é um grande equívoco: não obstante o seu papel menor na formação das elites, o fechamento completo das faculdades em  plena tentativa de generalização das reformas estruturais em março de 2020 (reforma da previdência e LPPR) não é absolutamente o fim da Universidade. Na verdade, este período sinaliza a conclusão de sua mudança profunda. A estratégia do governo francês, seguindo os processos neoliberais europeus desencadeados em 2002 pela padronização de diplomas (sistema LMD e ECTS), é o estabelecimento da Universidade-empresa como uma “grande marca”, capaz de vender, ser vendida e ser exportada. Uma universidade competitiva que pratica o toyotismo (sem armazenamento de alunos) e preconiza a digitalização.

A França está terminando o trabalho de minar a “fábrica de cérebros automatizada” iniciada nas décadas de 1960 e 1970 pelo poder gaullista-pompidouista. Essa reformulação global, baseada no modelo das universidades americanas, é agora complementada pelo estilo de gestão fomentado em Bruxelas. O modelo da nova universidade não precisa mais se preocupar com alunos “supranumerários” que incursionam pelas vastas pradarias do conhecimento para saborear as delícias do questionamento filosófico ou para aprender sobre as duras categorias da sociologia política antes de finalizar o curso como um psicopata (ou ainda, como um ativista em ocupações e comunidades de resistência pelo país afora). Eficiência, seleção e transferência de cérebros – ou, para usar a linguagem autorizada, “recrutamento no mercado de trabalho” – são as palavras-chave. Não há necessidade de refazer aqui a seqüência completa da neoliberalização do ensino superior. Outros textos já realizam muito bem essa tarefa (ver os materiais compartilhados no final deste chamado).

O que é importante notar, porém, é que esta última fase de modernização, que se observa há uma década, é um duplo movimento de digitalização radical (1) do Ensino Superior (em particular com o programa França Universidades Digitais) permitindo uma precarização imediata dos funcionários e uma futura redução drástica da massa salarial (o confinamento dos acadêmicos em seus respectivos lares é um incrível muro de contenção para aperfeiçoar essa estratégia). Ao mesmo tempo, essa fase opera a estruturação final do que os tecnocratas chamam de Nova Gestão Pública (2): uma reorganização total dos órgãos universitários, sua junção aos mercados e indústrias, permitindo novas fontes de financiamento (fundações, parcerias público-privadas) e uma fluidez de capital, a fusão-concentração de departamentos, a formação de centros de pesquisa específicos por meio de empréstimos e o estímulo a concorrência. Esta fase de digitalização/concentração (1) + (2) permite disseminar o novo “princípio universitário” (tão caro a Plínio Prado), que é fundamentalmente tecnocrático na sua forma e tecnocientífico no seu conteúdo, através da rede tecnológica global  (leia-se: Internet e “mercado”): assim se materializa a “desterritorialização” da educação, suposto objetivo sublime do aprendizado, a reboque do trabalho à distância e da criação de apêndices empobrecidos da universidade, espalhados nas cidades médias mas sob a tutela dos grandes centros; assim anuncia-se o fim dos institutos que compõem a universidade; assim extinguem-se os livros e bibliotecas universitárias; e assim vai extinguindo-se esse tradicional serviço público, agora substituído –  como todos os outros – por anexos do Servidor  Central que é o “Estado em Rede” com seus terminais de computador de fácil utilização… Esta reestruturação do ensino superior deve ser vista como uma guerra. Uma guerra comercial muito diferente dos combates de trincheira, estáticos e declarados. Trata-se de uma guerra fria onde, por exemplo, a nanotecnologia de Grenoble deve vencer as de Palo Alto, com a ajuda de alguma patente indiana; onde a robótica de Toulouse, aliada a um certo gigante aeronáutico, deve superar a robótica de um determinado instituto chinês, etc.

Esta mudança nas universidades não é surpreendente para quem acompanha as transformações em curso em todos os países capitalistas avançados, onde viceja o que Critical Times chama de “sociedade capitalizada” (Estado em rede, fluidez das infra-estruturas capitalistas graças à ferramenta informática, globalização das relações de produção…). Para os asseclas desta “revolução do capital”, era urgente investir pesado nas universidades que apresentavam um atraso “reacionário” em relação às demais estruturas de ensino vistas como modelos de formação ao estilo francês (grande escolas, politécnico e preparatório). É preciso dizer que ainda existem focos de contestação na sociologia, na história e na filosofia, onde a separação entre os objetivos dos centros de excelência e os das meras faculdades ainda não está completa e onde vemos os estudantes colocando em prática, nas barricadas e nas ocupações, as lições aprendidas em aula no dia anterior. Contudo, podemos apostar que o “distanciamento social”, que separa de fato as pessoas da vida real, acabará de fazer o trabalho sujo.

III. Ao lançar luz sobre o que esse “liberalismo autoritário” (Chamayou) produz nas universidades, vale a pena notar dois tipos de mutações complementares: uma mutação econômica resultante das diretrizes neoliberais europeias e um aumento estonteante da segurança universitária, ou seja, um pensamento político de “anti-subversão”.

Sem fazer uma justaposição mecânica, é possível identificar certa afinidade entre, por um lado, a conjugação macronista de leis neoliberais com leis de segurança sanitária e, por outro lado, os  modelos de contra-insurgência destinados a impor o “livre mercado” na América Latina – o que Naomi Klein chama de “Estratégia de choque”, mas que os militares da época chamavam de “doutrina de segurança nacional”. O aumento do poder de polícia da nossa “segurança global” e a excessiva judicialização de formas radicais de confronto em pleno estado de emergência não são fenômenos contingentes .

O incremento geral das doutrinas securitárias vem acompanhado por um aumento constante na segurança das universidades: cancelamento da famosa invulnerabilidade universitária e ingresso massivo de policiais nos campi, multiplicação dos postos de guarda, câmeras de vigilância, biometria, fechamentos preventivos das faculdades, judicialização de ações estudantis, ataques a sindicatos de estudantes e coletivos autônomos, etc.

Estas medidas devem ser comparadas com a abertura total das universidades aos mercados: lei de normalização europeia (LMD, 2004), estabelecimento de editais para projetos de investigação pública (ANR, 2005), concentração e concorrência entre os polos universitários, lei de desregulamentação do mercado de trabalho (Lei do Trabalho 2016, reformulação do CPE), sistemas de seleção (Parcours Sup, 2018) e leis fiscais (LPPR, 2020). Esse duplo aspecto, já bastante clássico na política capitalista, permite enclausurar cada vez mais os jovens estudantes em nodos econômico-repressivos ultra-estreitos, privando-os da possibilidade de extrapolar os quadros da precarização ou de se rebelar contra eles de maneira efetiva a abrangente.

III bis. Somada à solução de “choque” (estado de emergência) e brutal (segurança global) está a tática sorrateira da “micropolítica”, impulsionada pela escola neoliberal britânica. Não a micropolítica dos intelectuais deleuzianos. A expressão é tomada dos filósofos franceses pelo economista escocês Madsen Pirie e seu grupo de Saint Andrews, como uma série de métodos “suaves” destinados a promover “[…] circunstâncias em que os indivíduos serão motivados a preferir e abraçar a alternativa da previdência privada, e na qual as pessoas individual e voluntariamente tomarão decisões cujo efeito cumulativo será o de trazer o estado de coisas desejado” (Desmantelando o Estado: Teoria e Prática da Privatização, traduzido por Grégoire Chamayou em The ungovernable society , 2019).

Podemos imaginar que, aqui, o objetivo almejado não é a Comuna Livre, mas sim uma espécie de distopia orwelliana liberal onde, ao contrário das ditaduras clássicas, não é a liberdade e a autonomia política enquanto tais que são atacadas e dissolvidas, mas os quadros de legitimidade e implementação onde elas são exercidas. Mediante uma estratégia que consiste em comer pela beirada certos obstáculos legislativos, condutais e morais, fazendo a boiada passar aos poucos, no melhor espírito da escola austríaca de Hayek e Higgs, cada setor específico da  atividade humana, cada reduto da vida cotidiana vai sendo conquistado e preenchido pelas energias dissolventes do capital. Qualquer questionamento a posteriori é considerado fútil por ser “irreal” e “anacrônico”. Cada vez mais as novas escolhas, no mundo dos negócios ou na vida cotidiana, são aclamadas como “novas liberdades” ao mesmo tempo em que configuram a dissolução perfeita da escolha política no regime da cidadania de consumo. Como exemplo dessa “tecnologia política”, podemos citar os novos sistemas previdenciários em que o indivíduo fica com a opção de se antecipar ao novo regime de aposentadoria e contribuir para os fundos de pensão privados se desejar receber mais dinheiro na velhice. Na universidade, a micropolítica se reflete, por exemplo, na falsa escolha entre “excelentes cursos de formação que promovem a interdisciplinaridade e pedagogias inovadoras” e o terreno devastado das antigas ciências humanas que não pode ser recuperado para o capital.

IV. Este fim de época é, também, como qualquer mudança estrutural, um momento de fragilidade do status quo democrático e, portanto, um momento delicado para as estruturas político-econômicas. Para retomar a metáfora do inseto – empregada pelo economista liberal Walter Rostow para evocar as grandes mudanças econômicas e políticas nas sociedades capitalizadas –, é na época do “casulo”, quando toda a energia é direcionada para a metamorfose, que o organismo torna-se mais vulnerável.

No que se refere ao mundo acadêmico, os jovens esquecidos nesses cubículos de 9m², ou aqueles que voltam para o papai-mamãe para fazer home office, sempre sozinhos em frente a uma tela, podem agora tirar um tempo para se colocarem questões metafísicas sobre o sentido da vida e dos estudos. Esses jovens estão borbulhando! Eles estão furiosos! Andam em círculos na sua jaula de telas e telinhas enquanto esperam que seus locais de estudo – que são, também, seus locais de socialização – não reabram. E se demorar muito, o governo ficará feliz em encontrar para eles outras ocupações que sejam necessariamente “éticas” e convergentes com o serviço patriótico. Por exemplo: envolver-se em algum trabalho forçado de “interesse geral” (vai catar lixo nas praias ou em qualquer outro lugar, vai prestar algum serviço útil, quem sabe assim tu te acalmas um pouquinho! ) O governo pretende adormecer os jovens a baixo custo. A isso podemos somar as promessas mesquinhas de incremento miserável do poder de compra, coroadas por aquela sopinha condescendente que custa um euro nos restaurantes universitários do Reino Unido e da França… esperemos que, depois de tudo isso, a pílula azul (# Youtube, # Netflix) não complete a aniquilação de qualquer impulso vital.

“Lasciate ogni autonomia voi che entrate!”

São abundantes os questionamentos e debates em torno do significado dessa vida que permanece confinada às necessidades econômicas. A selvagem vitalidade da juventude não pode ser compartimentada. Ainda existem muitas falhas na barreira sanitária. Através delas, os impulsos dos alunos do ensino médio, dos estudantes e dos trabalhadores precários conseguem sobrepujar os castigos enfadonhos do Estado-papai.

É claro que os tecnocratas não poderiam fazer algo diferente do que já estão fazendo! Apoiados nas palavras dos especialistas (arautos de um poder fragmentado que se cristaliza em múltiplas prerrogativas econômicas de cunho eleitoralista), eles lideram a luta histórica contra o vírus e disputam a opinião pública. E enquanto os policiais se desesperam em seu papel de guardas sanitários, existe um mundo inteiro em turbulência que fervilha sob a máscara cívica do “sanitariamente correto”. A sociedade viral pode estar à nossa frente, mas as convulsões históricas não vão parar – pelo menos por enquanto.

V. É aí que a questão da retomada do poder sobre nossas vidas colonizadas se cruza com a crítica aguda de nosso mundo altamente tecnificado. Durante anos, alguns coletivos denunciaram aos gritos cada salto tecnológico e de segurança. A criação de coletivos e associações como a Quadrature du Net ou Total Screen, bem como a disseminação de ideias tecnocríticas em manifestações e ações tão diversas como as que questionaram os chips de animais e a informatização das bibliotecas, permite uma mudança de paradigma na velha disputa em torno dos “meios de produção”.

A arte da crítica está ganhando força em muitos grupos que se permitem editar textos, brochuras, fóruns e livros. Sem contar as críticas em ação, sabotagem popular de símbolos da tecnocracia (antenas, transformadores, veículos …) que interrompem, aqui e ali, o sombrio cotidiano dos cidadãos limpos e conectados, impondo “cortes” salutares que nos lembram, dignamente,  da fragilidade do Progresso. É no cruzamento de todas essas energias com novas potencialidades revolucionárias que temos a oportunidade de criar contra-lugares, seja na universidade, seja fora dela; contra-lugares onde possamos encontrar – e aplicar – a vitalidade de que ainda dispomos.

VI. Neste período de mudança, que projeta a totalidade das relações humanas nos fios canônicos da rede tecnológica, a abertura de lugares piratas, onde o vínculo real pode ser feito livremente, torna-se a mais alta das subversões. Quer permaneçam escondidos da vista ou magistralmente expostos como um ato de autonomia política (lembremos desse professor de filosofia em Rennes que dá palestras “proibidas”), esses espaços-tempos fora das temporalidades virais do trading contemporâneo (confinamento/toque de recolher/estado de emergência/trabalho /busão/ drogas) são bases onde as energias subversivas podem se reunir e acolher-se mutuamente. É sobretudo este tipo de iniciativa que, agora, precisamos reforçar ou recriar do zero, dentro das universidades e nas suas periferias. Agora que não há mais nada, é hora de fazer tudo!

A sede de alguma associação agonizante? Uma sala de aula esquecida? Uma sala de reuniões da qual temos a chave? Um pavilhão abandonado? Mesmo uma parada de ônibus coberta… Algo novo, algo relativo à decência humana, pode ganhar vida e expandir-se em qualquer reentrância nas paredes do consenso. Sem recorrer a mentiras ou táticas sectárias, seria de qualquer forma conveniente desenvolver algumas ideias nobres, que elencaremos abaixo na forma de palavras-chave, com campos interpretativos abertos, para que nem os poderosos, nem a propaganda possam dominá-las; para que, abertas à apropriação de muitxs, elas se tornem um lugar de encontro e suscitem lutas em sentidos múltiplos, diversos e não lineares.

Sabe de uma coisa, estudante fantasma? Existe todo um Inter-mundo entre a frieza das salas de aula servis e o calor sufocante dos call centers.

CRÍTICA RADICAL: O pensamento crítico não é uma espécie de postura mental desconfiada e arrogante que deveria ser introjetada na cabeça dos estudantes. Trata-se, isto sim, de métodos e técnicas teóricas e práticas que devem ser transmitidas e (re)aprendidas no processo de seu próprio uso (levantamentos críticos, dialética, historicização, curiosidade e esclarecimentos teóricos, materialismo radical, desmistificação, incessante retorno entre teoria e prática, crítica em ação, confronto, diálogo genuíno, novas linguagens e irreverência para com o politicamente correto, os lugares-comuns e as doxas). “Antes que denotar algo negativo, operar a censura ou a culpabilização, criticar é, primordialmente, examinar, classificar, qualificar (gr. Tekhnè diakritikè: a arte de distinguir), passar um pente fino em qualquer declaração de imparcialidade, nesta ou naquela opinião ou proposição; buscar os pressupostos que estão em jogo, discernir o que é necessário ou legítimo e o que é arbitrário” (Plínio Prado, The University Principle , pp. 14-15).

ABERTURA: Esses contra-lugares nos quais convém investir nossas energias devem mostrar a maior abertura possível para não desabar. Num duplo movimento de enriquecimento de energias tão diversas quanto possível e de refluxo para outras esferas não universitárias, esta respiração é uma promessa de que a crítica possa superar constantemente a si mesma. No entanto, abertura não significa ingenuidade política. A bom entendedor…

COMUNICAÇÃO: “A questão da comunicação de uma teoria em formação às correntes radicais, elas próprias em formação (comunicação esta que não poderia ser unilateral) diz respeito, simultaneamente, à  “experiência política ”(a organização, a  repressão) e à expressão formal da linguagem (da crítica de dicionário ao uso de livros, folhetos, revistas, filmes e discurso na vida cotidiana)”(extrato do“ Relatório de Guy Debord à VII a Conferência da SI em Paris”, julho de 1966.)

AÇÃO: Talvez seja obviamente uma loucura hoje, nesta era de passividade generalizada e ênfase no “simbólico”, frisar que a crítica não é apenas a distinção das coisas e o desvelamento de sua inter-relação, mas também e principalmente um combate que poderia ser a efetivação de uma teoria, sua concretização. Assim, toda crítica verdadeira contém, em si mesma, um senso de negação.

ACRACIA: Criticar o poder como uma questão abstrata não é suficiente. Para que os nossos contra-lugares não pereçam como grupos ultra-esquerdistas ou como vitrine subversiva da instituição (cf. Vincennes), é importante que eles pratiquem o desnudamento do poder. Ao se colocar na perspectiva de não buscar relações de poder (sem hierarquia, sem individualização de tarefas, sem grandes estruturas e recursos substanciais), atenção especial será dada em todos os momentos aos saberes/poderes, concentrados e difusos, presentes nesses locais. Nesta base, tudo o que é organizado deve, tanto quanto possível, evitar funções e funcionalismos, especialidades, papéis de especialistas e dinamizar formas rotativas de práticas organizacionais e políticas integrando de maneira simplificada as pessoas que não forem do meio universitário.

AUTONOMIA: É importante sublinhar que a Universidade moderna está situada numa espécie de altura alienante, tanto para os seus trabalhadores como para os seus clientes-usuários. Em tensão com esse mundo universitário assente em alienações e produtor de meios de alienação, é essencial desenvolver a autonomia, bem como um senso agudo de autoformação das próprias bases políticas e materiais. É nestas apostas onde reside a base do que pode reverter radicalmente a relação de exploração e dominação. Tais propósitos só podem realizar-se por meio de movimentos reais e combativos de pessoas que se sentem conectadas e formam frentes abertas de luta.

AMIZADE: Se os sociólogos inventaram o “laço social” para estudá-lo, é aconselhável não inventar absolutamente nada e imaginar nossos futuros encontros como amizades frutíferas em potencial.

VII. Neste ponto, é importante não esquecer uma coisa importante: se a tecnociência e seus apologistas são nossos inimigos declarados, o objetivo final dessas energias cujo ressurgimento desejamos ver nas universidades não pode descambar para os mesmos caminhos da eficiência e da reificação que a tecnociência atualmente oferece. Ao contrário, o centro das atenções precisa ser a ausência de objetivo, ou seja, a ausência de eficiência gerencial e técnica em nome de um suposto “aumento de poder” delirante (o que significaria um incremento da governança autoritária) ou, ainda pior, de “Empoderamento” (o que significa, queiramos ou não, um aumento do poder que, no mundo tecnificado, implica uma ampliação da dominação por máquinas e “tecnologias políticas”). Convém desconfiar dos oportunistas e do mesquinho pensamento empreendedor que grassa nas academias com seu chamado  à incorporar novas habilidades, “skills” e planos de carreira. Diga-se de passagem, esse tipo de pensamento não existe desde sempre: é uma das marcas da pequena burguesia intelectual, esta camada social de pequenos agentes especializados em “serviços” que o sistema de produção necessita com urgência: gestão, controle, manutenção, pesquisa, ensino, propaganda, diversão e pseudo-crítica. Dentro da máquina, a função dessa classe é “reproduzir” o capital por meio da manutenção e melhoria da tecnoestrutura. Contudo, é durante os momentos de “oscilação” da máquina, quando o software central se reinicia e quando os impulsos dos jovens estudantes ainda não estão totalmente supervisionados e assimilados, que temos a oportunidade de testar novas formas de confluência. Coisas interessantes podem acontecer em momentos como este que estamos vivendo.

Ao mesmo tempo, teremos que estar constantemente atentos a nós mesmos (autocrítica) e aos usos que fazemos do conhecimento disponível na sociedade técnica e gerencial, posto que dito conhecimento é consubstancial ao poder que ele sustenta. Se nos deixarmos levar pela arrogância e pela pretensão, então será fácil para uma instituição universitária nos dar uma ajudinha no momento apropriado, oferecendo-nos um pequeno lugar no elevador social academia (start-up, escritório administrativo, plano de negócios, subsídio, salários, bolsa produtividade, feudo administrativo, etc.)

VIII. A cooptação é uma prática longeva na universidade, em sua incansável busca pela inventividade humana. Da cooptação depende o constante fornecimento de carne humana, patentes e novos conhecimentos ao ventre insaciável de Moloch . Todo mundo é cooptado na universidade: um pesquisador coopta o trabalho de um colega sem citar sua fonte, uma startup absorve certa descoberta não patenteada, um geek tenta fazer fortuna explorando anteriores descobrimentos, um chefe de departamento, núcleo de pesquisa ou laboratório drena livremente a energia de seus jovens contratados: tudo isso é moeda corrente numa “organização criminosa” que não ousa dizer seu nome.

Sindicatos e partidos políticos também fazem parte de tudo isso! Sempre à procura de reabastecer os cofres e o regimento, tocando o acorde sensível da “solidariedade” e embelezando seus folhetos com termos da moda aprendidos ainda ontem de sociólogos pomposos com cadeira cativa no mundo acadêmico. Há estudantes bem intencionados que identificam nesse tipo de organização um caráter libertador e investem ali sua energia e seu ódio pela sociedade. Não obstante, em tais espaços as coisas funcionam num regime de papai-mamãe: aprendemos coisas, recebemos ordens, há uma estrutura, regras, punições e recompensas, recebemos um novo corpo de legitimidade e a tropa avança, bandeiras ao vento!

Desde 2016, o deserto político vem crescendo nos campi. Apesar de alguns atos de bravura temerários, o pensamento político autonômico praticamente desapareceu dos debates estudantis. Esse deserto é reivindicado e propagado, de um lado, pela esquerda reformista , em boa medida a partir dos sindicatos de professores, com métodos corporativos e paternalistas. Eles só mexem a bunda uma vez por ano, quando surge alguma lei ou decreto que ameaça danificar o ar condicionado de sua prisão, alterando a temperatura em alguns poucos graus Celsius. De outro lado, o deserto é referendado por certo comunismo de quartel, que identifica nos estudantes uma tropa de choque cujo recrutamento dependeria de palavras de ordem “simples” e redundantes, destinadas a provocar, mecanicamente, o que se chama de “agitação” (mas por quê?). Estas duas tendências parecem se odiar, mas não deixam de acolher com obstinação – e por puro interesse – o consenso democrático que autoriza o recrutamento constante de membros, a disputa por cargos nos conselhos, o direito à fala ilimitada na assembleia geral e uma péssima condução dos assuntos universitários. Os estrategistas estão lá, posicionados na entrada da universidade, distribuindo seus folhetos salpicados de palavreado adaptável aos potenciais clientes. Nesse jogo de bobos, mesmo para uma mente sã é difícil enxergar claramente o panorama que está colocado. Em outras épocas seria mais fácil passar da crítica verbal ao pedaço de pau, mas, hoje, isso soaria “anti-democrático”…

IX. Em oposição ao princípio de melhoria das condições atuais que a comunidade universitária se orgulha de defender como um dos seus valores primários convém, portanto, enunciar um rotundo NÃO: não-compromisso, não-construção, não-melhoria, não-regulamentação, não-trabalho. Nas condições atuais, não é de forma alguma possível acreditar que a postura aristocrática do “conhecimento pelo conhecimento” possa visar qualquer transbordamento das instituições universitárias.

No tecnocapitalismo, tudo começa no poder e tudo retorna a ele. O projeto de uma instrução humanista e enciclopedista fracassou duplamente porque suas bases eram falsas: ao separar o conhecimento ( gr. Épistémê ), visto como universal, da sociedade particular que o produz, o pesquisador na era industrial ( gr. Technê mekhanê ) substituiu a questão filosófica do “porquê” pela questão do “como” e se viu diante da tarefa de encontrar, seja como for, os meios de … O “general intellect” é um dos elos essenciais no desenvolvimento implacável das forças tecno-capitalistas. Por sua vez, o “conhecimento”, que nunca é neutro, deverá render frutos em termos de poder e potência. A sociedade que ao mesmo tempo produz as condições para um conhecimento complexo e altamente realizado tecnicamente é, também, aquela que permitirá o seu uso letal. Ou, dito de outra forma, o conhecimento produzido no arcabouço científico moderno já contém, em si, a propensão para seu uso capitalista e tecnológico. A pesquisa científica é um Jano mortal que agora devemos enfrentar!

Não se trata de inculcar conhecimentos, mas apenas de redescobrir o desejo de viver livremente e de praticar a vida, a crítica na ação, ou seja, encontrar e redescobrir o que hoje e ontem permite e permitiu que muitas pessoas saíssem da rotina mediante certas formas de organização.

A implementação efetiva de “universidades autônomas” é consubstancial à vida coletiva que se desenvolve ao longo do processo; é a vida que queremos ver crescer e que, na verdade, já está florescendo ao nosso redor! Podem estar certos de que, quando esse tipo de lugar for construído, as almas enobrecidas pelas novas amizades e pelo impulso coletivo rapidamente se sentirão sufocadas pelos muros que as aprisionam e, quando menos se espera, começarão a propagar negatividades frutíferas em meio às carteiras escolares desmontadas e aos gabinetes esculhambados dos “professores doutores”.

X. Que fique claro: não se trata, aqui, de recriar “técnicas políticas” de gestão, capacitação de lideranças e condução da “luta emancipatória”, nem de buscar qualquer resultado em termos de “conquista de poder” ou “batalhas a serem ganhas”. O objetivo do presente chamado é tirar do eixo essa catástrofe chamada universidade sem passar pelo poder; é sinalizar a possibilidade de definir caminhos fora da norma, que nos permitam empreender ultrapassagens internas. Não podemos permanecer atrelados às conquistas pretéritas de uma suposta força motriz universitária cuja estrutura nos furtamos de questionar,  aderindo apressadamente à reivindicação de alteridades superficiais do tipo “faculdade alternativa”, “universidade autônoma”, “cursos alternativos”, “espaço autogerido”, etc. Culturalmente, trata-se de demolir, de uma vez por todas, a cultura elitista – filha do mito das “ciências humanas libertadoras” – e o intelectualismo pedante que erige sua miséria como estilo de vida: Foucault numa das mãos e um iPhone X na outra.

Do ponto de vista estrutural, ao contrário da guetização repetidamente operada pelos tecnocratas (cf. “o gueto experimental” da Universidade de Vincennes), é imperativo não ser sufocando dentro do campo da esquerda pelas instituições da mercadoria intelectual. Se “funciona”, se a sede de novidade começa a atiçar os vendedores ambulantes da Universidade moderna, é porque a crítica já perdeu o fôlego e só produz um reflexo de si mesma, sua representação como tradução: agora ela vive no conceito masterizado e pode ser vendida como bom avatar em seminários de sociologia ou linguística criativa. “Reconhecemos a teoria crítica exata na medida em que ela faz todas as outras teorias parecerem ridículas”,  disse certa vez um notório alcoólatra.

O mais próximo possível das realidades cagadas deste mundo, o ato da crítica, para estar vivo, deve fazer coincidir, no mesmo movimento, a observação precisa e intransigente dos mecanismos da sociedade e a  crítica em ação, real e comunicativa, desses mesmos mecanismos. Tentemos ridicularizar as lutas sociais de certos acadêmicos lutando dentro de seus cursos e cadeiras, ao invés de querer ocupar seu púlpito professoral. Mas e se eles simplesmente tomarem distância de nós? E se eles só derem um passinho para o lado?  Não importa: de qualquer forma, estaremos presenciando uma luta que incide na vida real.

Os resíduos da velha ideologia da universidade liberal burguesa banalizam-se na altura em que a sua base social se dissolve. A Universidade pôde julgar-se uma força autônoma na época do capitalismo de livre-câmbio e do seu Estado liberal, que lhe concedia uma certa liberdade marginal. Na realidade, porém, ela dependia estreitamente das necessidades deste tipo de sociedade: fornecer à minoria privilegiada, que seguia estudos, a cultura geral adequada, antes de esta se integrar nas fileiras da classe dirigente, da qual, a bem dizer, mal tinha saído. Daí o ridículo desses nostálgicos professores exasperados por terem perdido a sua antiga função de cães de guarda dos futuros dirigentes em proveito dessa outra função, bem menos nobre, de cães pastores que conduzem, segundo as necessidades planificadas do sistema econômico, as fornadas de “colarinhos brancos” para as suas fábricas e escritórios respectivos. São eles, esses ridículos professores, que opõem os seus arcaísmos à tecnocratização da Universidade e imperturbavelmente continuam a debitar os restos duma cultura dita geral a futuros especialistas que não saberão o que fazer dela (Da miséria no meio estudantil considerada nos seus aspectos econômico, político, sexual e especialmente intelectual e de alguns meios para preveni-la).

ALGUNS MATERIAIS PARA A SUBVERSÃO UNIVERSITÁRIA

–  Universidade desintegrada, pesquisa em Grenoble a serviço do complexo militar-industrial , grupo Grothendieck, Le Monde à versa, 2021.

– “Vamos continuar a pesquisa científica?”, Alexandre Grothendieck, 1972. Disponível em www.sniadecki.wordpress.com (Transcrição do congresso-debate no anfiteatro do CERN, 27 de janeiro de 1972.)

–  Sobreviver e Viver, Crítica da ciência, nascimento da ecologia, coordenado por Céline Pessis, L’Échappée, 2014. Compilação de textos que expressam uma revisão subversiva da ecologia radical, da qual Alexandre Grothendieck foi um dos protagonistas. A introdução de Céline Pessis (que retoma o texto de sua tese: Os anos 1968 e a ciência, Sobreviver … e Viver, matemáticos críticos na origem do ecologismo ) está muito bem documentada no que diz respeito ao contexto histórico e político do ambiente científico dos anos 1970.

–  Toulouse Necropole, especialidades locais para um desastre global, La commune des mortel-le-s, 2014, disponível em www.IATAA.info/toulouse-necropole e toulouse.necropole@riseup.net .

– “University policy since 1968”, Patrick Fridenson, 2010, https://www.cairn.info/revue-le-mouvement-social-2010-4-page-47.htm Artigo universitário muito detalhado sobre as várias reformas das universidades francesas.

– “Para  que serve a universidade“, Antonia Birnbaum, Lundimatin n ° 57. Um testemunho sincero e cru do despojamento de um professor de filosofia e sobre a questão da persistência da Universidade.

– “Universidade: mudar ou terminar?”, Anne Steiner, 2014 em www.sniadecki.wordpress.com (sobre as relações de classe e a ligação entre a universidade e a economia capitalista).

– “Estude, não há nada a fazer!” Brochura, Éditions Autonomes de Nanterre, 2010.

–  Tratado de boas maneiras ao uso das novas gerações , Raoul Vanegeim, 1967. Para sentir todo o frescor da revolta de maio de 68 e ao mesmo tempo compreender melhor a sociedade do espetáculo.

Sobre a miséria em um ambiente estudantil considerada sob seus aspectos econômicos, políticos, psicológicos, sexuais e em particular intelectuais e alguns meios para remediá-la , Federação Geral de Estudantes de Estrasburgo, 1966. https://infokiosques.net/spip.php? Article14

–  Revolução na universidade, algumas lições teóricas e linhas táticas extraídas do fracasso da primavera de 2009, edições La ville brûlle, 2010.

–  O princípio da universidade, como direito incondicional à crítica; Plínio Prado, Lignes Éditions, 2009. Disponível gratuitamente online. Algumas passagens são interessantes. Contudo, no exato momento em que se propõe a desafiar a universidade, o autor reincide num arcaísmo burguês e não percebe que seu “princípio universitário” emancipatório e liberal (Humbolt et tutti quanti ) é o véu que esconde o princípio da universidade moderna, a saber: a tecnociência.

GRUPO GROTHENDIECK, INVERNO 2020-2021.

Contato: groupe-grothendieck@riseup.net

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